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Capa janeiro 2011 Como se preparar para concursos públicos

04/01/2011 por Rogerio Neiva

Existem muitas soluções propostas tratando de como se preparar para um concurso público. Boa parte destas são construídas de maneira puramente empírica e intuitiva, exclusivamente a partir da experiências individuais. Também existem propostas apresentadas por aqueles que não contaram com qualquer vivência de resultados em concursos públicos.

No presente texto, elaborado a pedido e especialmente para o Carta Forense, serão apresentadas propostas e conceitos metodológicos voltados à busca da aprovação no concurso público, desenvolvidos não apenas a partir de elementos empíricos, mas também de construções teóricas.

Uma primeira premissa relevante consiste na idéia de que a preparação para concursos públicos deve contar com dois objetivos principais, sendo um mediato e outro imediato. O objetivo mediato, que corresponde ao fim maior, naturalmente consiste na aprovação. O objetivo imediato e mais direto, o qual viabiliza o primeiro, consiste na apropriação intelectual e cognitiva do conjunto de informações e conhecimentos passíveis de cobrança pelo examinador no momento da prova.

Esta compreensão decorre da idéia de que para passar no concurso público existem duas condições a serem atendidas, uma formal e outra material. A condição formal consiste no alcance da pontuação necessária à aprovação, considerando os parâmetros do edital. Já a condição material consiste na disponibilidade intelectual e cognitiva das informações objeto das questões apresentadas pelo examinador.

Exatamente por isto, o objetivo imediato da preparação para o concurso público consiste na apropriação intelectual e cognitiva das informações passíveis de solicitação pelo no momento da prova. Tal conceito é relevante, pois muitos candidatos iniciam o processo de preparação sem a compreensão e clareza desta premissa fundamental.

Partindo da referida premissa, o desenvolvimento adequado e eficaz da preparação para o concurso público deve contar com a preocupação e mobilização em torno de três dimensões fundamentais, quais sejam: o planejamento; a aprendizagem; a gestão das condições emocionais. E é necessária a compreensão sistêmica do referido processo. Sem a planificação dos estudos, o candidato não tem rumo a seguir; sem aprendizagem, não há apropriação intelectual das informações e conhecimentos passíveis de cobrança pelo examinador no momento da prova; sem gestão emocional, haverá dificuldades para se manter empenhado na trajetória de implementação de esforços, principalmente nos naturais momentos de fragilidades e dificuldades.

Conjugando de forma articulada estas três dimensões, e sem a intenção de adotar clichês de auto ajuda, a aprovação no concurso público pode e deve ser encarada como uma certeza. Tal certeza decorre das primeiras premissas apresentadas, principalmente quanto à noção de que passar no concurso depende da disponibilidade cognitiva das informações solicitadas na prova, bem como de que o objetivo da preparação corresponde exatamente à apropriação intelectual destas mesmas informações.

Assim, a grande questão que se coloca é como empreender este processo de preparação para o concurso público.

Quanto à estruturação do planejamento, a proposta que venho apresentando envolve a compreensão e desenvolvimento da preparação em duas fases. A primeira fase tem como fim a apropriação primária do objeto de conhecimento a ser apropriado intelectualmente pelo candidato. Já a segunda fase envolve a apropriação secundária, o que corresponde à manutenção e aperfeiçoamento das informações apropriadas intelectualmente na primeira fase.

A primeira fase termina com a conclusão da execução do planejamento estabelecido. A segunda fase termina com a aprovação no concurso público.

O planejamento da primeira fase da preparação se estrutura em torno de quatro elementos, sendo os dois primeiros correspondentes ao planejamento estratégico e o terceiro e quarto ao planejamento tático. O planejamento estratégico envolve aspectos decisórios fundamentais a serem estabelecidos pelo candidato, ao passo que o planejamento tático consiste nos meios eleitos para a implementação do planejamento estratégico.

O primeiro elemento estratégico consiste na definição de objetivo, envolvendo o cargo ou cargos almejados pelo candidato. Este objetivo pode ser específico, envolvendo uma carreira ou cargo público único e específico, ou genérico, envolvendo um conjunto de cargos ou carreiras. O preço do objetivo genérico é assumido pelo candidato na definição do segundo elemento estratégico, ou seja, o programa.

O programa, por sua vez, conceitualmente, consiste no objeto de conhecimento a ser intelectualmente apropriado pelo candidato, ao longo do seu processo de preparação para o concurso público. Em termos concretos, trata-se das matérias e conteúdos correspondentes, que irão integrar o planejamento da preparação. Se o candidato estabeleceu um objetivo específico, o programa será aquele previsto no último edital do concurso público realizado para o referido cargo, ou seja, o programa é específico. Sendo um objetivo genérico, o programa também será genérico, de modo que o candidato deve avaliar as matérias e conteúdos semelhantes ou não, conforme os editais dos concursos de cada um dos cargos, e estruturar o seu próprio programa, ou seja, o conjunto de matérias e conteúdos a serem intelectualmente apropriados.

O terceiro elemento que compõe a estruturação do planejamento, o qual corresponde ao primeiro elemento do planejamento tático, consiste na definição das fontes de estudo. Naturalmente que tal decisão também envolve a definição dos processos cognitivos a serem adotados. Se as fontes de estudos forem bibliográficas, o processo cognitivo será a leitura, a qual pode contar com alguma técnica de estudo agregada. Se o candidato vai cursar um curso preparatório, a fonte será as aulas, sendo outro o processo cognitivo, o qual pode variar conforme a modalidade do curso (presencial, satelitário ou web) e mesmo a forma como o candidato participa, por exemplo realizando ou não anotações.

O quarto elemento da estruturação do planejamento consiste no levantamento do tempo e alocação de matérias. O levantamento do tempo consiste na montagem da grade de horário, o que envolve a apuração de quantas horas e quais as horas o candidato irá disponibilizar aos estudos. Também é importante que o candidato apure o potencial de disponibilidade intelectual para cada uma destas janelas a serem disponibilizadas.

O passo seguinte consiste na montagem da grade de matérias, o que corresponde à alocação das matérias na grade de horários. Para isto é importante contar com critérios racionais de otimização de esforços intelectuais e cognitivos. Um exemplo, que considero uma típica aplicação do Princípio de Pareto à preparação para concursos públicos, consiste em alocar as matérias tidas por mais relevantes ou de maior percepção de dificuldade nos momentos de maior disposição intelectual e física.

Cumpridas as etapas propostas, ou seja, definição de objetivo, programa, fontes e levantamento do tempo e alocação de matérias, o candidato tem estruturado o seu planejamento da preparação para o concurso público. A partir daí é importante contar com mecanismos de monitoramento e controle.

Esta preocupação com o monitoramento e controle, por um lado, deve ter o sentido de acompanhar os avanços na execução do planejamento estabelecido, o que traz repercussões inclusive no plano motivacional, no sentido de mostrar que os esforços implementados estão levando o candidato à busca do seu objetivo. Por outro lado, permite a construção de metas de curto prazo, o que é fundamental para que o candidato tenha o foco no processo e não se angustie com a preocupação e foco no resultado.

Assim, estabelecido o planejamento, o candidato deve tomar a atitude e o espírito de se tornar refém da sua execução. Sem preocupação com o edital ou com o resultado. Exatamente aí está a idéia do foco no processo. E tudo isto se traduz na noção da preparação de alto rendimento. Ou seja, a preparação com planejamento, monitoramento, controle e foco no processo.

Estruturando o planejamento de forma adequada e o executando também de forma adequada, numa perspectiva de certeza, a aprovação no concurso público figura como conseqüência lógica, racional, cartesiana e natural.

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ROGERIO NEIVA

Rogerio Neiva

Juiz do Trabalho no DF. Professor e Autor do livro "Concursos Públicos e Exames Oficiais: Preparação Estratégica, Eficiente e Racional" (Editora Atlas), criador do sistema Tuctor (www.tuctor.com.br) rogerio@tuctor.com.br 

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